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Bem Vindo

quarta-feira, 29 de março de 2017

O discurso histórico da Madre Teresa de Calcutá contra o aborto

Um clamoroso gesto de bravura na presença de líderes políticos, econômicos e sociais do mundo inteiro


O “National Prayer Breakfast” é um evento anual organizado em Washington, D.C., pelo Congresso dos Estados Unidos em parceria com a fundação cristã The Fellowship. Trata-se de um relevante fórum internacional em que participam líderes políticos, sociais e empresariais de grande influência no mundo. Todos os presidentes norte-americanos desde Dwight Eisenhower já participaram do evento.
Na edição de 3 de fevereiro de 1994, uma convidada especial teve a coragem de defender a vida desde a concepção e deixar claro que o aborto é o assassinato de um ser humano inocente e indefeso.
Essa valente convidada foi a Madre Teresa de Calcutá. E este foi o seu histórico discurso:
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No último dia, Jesus dirá aos que estão à sua direita: “Venham, entrem no Reino. Porque quando tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber, estive doente e vieste visitar-me”. E, logo depois, Jesus dirá aos que estão à sua esquerda: “Afastem-se de mim, porque tive fome e não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber, estive doente e não me visitaste”. Eles lhe perguntaram: “Quando é que te vimos esfomeado, ou com sede, ou doente e não te ajudamos?”. Jesus responder-lhes-á: “O que fizerem a um destes mais pequenos, é a mim que o fazem!”.
Aqui, ao encontrarmo-nos reunidos para rezar juntos, penso no bonito que seria se começássemos com uma oração que expressa muito bem o que Jesus quer que façamos pelos mais pequenos. São Francisco de Assis compreendia muito bem as palavras de Jesus e a sua vida ficou bem plasmada nesta oração. Esta oração que nós (as irmãs Missionárias da Caridade) dizemos todos os dias depois de receber a Santa Comunhão, não deixa de surpreender-me, porque encontro-a muito adequada para cada um de nós. Sempre me perguntei se, há oitocentos anos, quando viveu São Francisco, tiveram as mesmas dificuldades que enfrentamos hoje em dia.
(Rezou-se a oração de São Francisco)
Demos graças a Deus pela oportunidade que nos deu de virmos rezar juntos. Viemos aqui, para rezar, especialmente, pela paz, gozo e amor. Recordemos que Jesus veio trazer as boas noticias aos pobres. Ele disse-nos quais eram essas boas notícias quando disse: “Deixo-vos a minha Paz. Dou-vos a minha Paz.” Ele não veio para dar a paz que dá o mundo, a qual é simplesmente a que uns não aborreçam outros. Ele veio dar a paz do coração, a qual vem quando amamos, ao fazer bem ao próximo.
Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o seu único Filho – era já um facto. Deus deu o seu Filho à Virgem Maria. E que fez Ela? Quando Jesus veio à vida de Maria, Ela, imediatamente, foi dar as boas notícias. E entrou na casa da sua prima Isabel e as Escrituras dizem que o seu filho, ainda não nascido, a criança dentro do ventre de Isabel, saltou de alegria. Do ventre de Maria, Jesus trouxe paz a João, o Baptista, que saltou de alegria no ventre de Isabel.
E, como se não fosse suficiente – que Deus Filho se fizera um de nós e nos trouxera Paz e Alegria, mesmo ainda quando estava no ventre de Maria – Jesus também morreu na Cruz para demonstrar um amor ainda maior. Ele morreu por ti e por mim. E pelo leproso, e pelo que morre de fome. E pelo que se encontra despido e caído pela rua, não só em Calcutá, também em África e em todos os lados. As nossas irmãs servem os pobres em 105 países pelo mundo. Jesus insistiu que nos amassemos uns aos outros como ele nos ama. Jesus deu a sua vida para amarmos e disse-nos que também devemos dar o que seja para fazer bem ao próximo.
Nos Evangelhos, Jesus disse claramente: “Amai-vos como eu vos amei.” Jesus morreu na Cruz porque isso é o que lhe era pedido: para fazer um bem por todos nós, para salvar-nos dos nossos pecados e egoísmos. Ele deu tudo para cumprir a vontade do Pai, para mostrar que nós também devemos estar dispostos a dar tudo para cumprir a vontade de Deus, para amarmos uns aos outros como Ele nos amou. Se não estamos dispostos a dar tudo para fazer o bem ao próximo, o pecado vive em nós. É por isto que nós também devemos dar até que doa. Não é suficiente dizer “Amo a Deus”. Tenho também que amar-me a mim próprio. São João adverte-nos que somos mentirosos se dizemos que amamos a Deus e não amamos o nosso próximo.
Como se pode amar Deus, que não se vê, se não amas o teu próximo, a quem podes ver, podes tocar, e com quem vives?
Portanto, é muito importante entender que amar, para que seja verdadeiro amor, tem que doer. Devo estar disposto a dar tudo, para fazer o bem. Isto requer estar disposto a dar até que doa. De outro modo não há verdadeiro amor em mim e, por fim, no lugar de levar boas notícias, levo a injustiça e não a paz aos que estão ao meu redor. A Jesus dói nos amar. Fomos feitos, criados, à Sua imagem para coisas muito maiores, para amar e ser amados. Devemos “vestir-nos de Cristo” como dizem as Escrituras. Por isto, fomos criados para amar e ser amados, Deus fez-se homem para comprovarmos que podemos amar da mesma maneira que Ele nos amou. Jesus faz-se o esfomeado, o despido, o desamparado, o rejeitado e disse-nos, “fizeram-no a mim”. No último dia Ele dirá aos da sua direita: “O que fizeram a um destes mais pequenos, fizeram-no a Mim”. E também dirá aos da sua esquerda: “O que deixaram de fazer a um dos meus pequenos, deixaram de o fazer a Mim.”
Quando Jesus morria na Cruz disse: “Tenho sede”. Jesus está sedento de amor e esta é a sede de todos, pobres e ricos. Todos estamos sedentos do amor de outros. Este é o significado do verdadeiro amor: dar até que doa.
Nunca esquecerei experiência que tive a visitar uma instituição para onde os filhos mandam os seus pais, já na terceira idade, para esquecerem-se deles. Vi que, neste lugar, esta gente da terceira idade tinha tudo: boa comida, um lugar cómodo, televisão… Têm tudo! Porém, todos tinhas os olhos postos nas portas de entrada. E não vi nenhum com um sorriso no rosto. E eu perguntei à irmã: “Porque é que eles, que têm todas as comodidades aqui, têm os olhos postos nas portas? Porque é que não sorriem?” Eu estou tão acostumada a ver sorrisos nas caras das pessoas, até mesmo nos moribundos. E a irmã disse: “É assim todos os dias. Estão à espera, desejando que um filho ou uma filha os venha visitar. Estão feridos, porque foram esquecidos.” Falta de amor traz pobreza espiritual. Talvez, nas nossas próprias famílias, temos alguém que se sente sozinho, doente, preocupado. Estamos com eles? Acompanhamos ou deixamo-los ao cuidado de outros? Estamos dispostos a dar até que doa para estar com as nossas famílias, ou pomos os nossos próprios interesses primeiro? Estas são as perguntas que nos devemos fazer, especialmente no começo do ano da família. Devemos recordar que o amor começa em casa e devemos recordar que “o futuro da humanidade passa pela família”.
Surpreendeu-me ver, no Ocidente, tantos jovens que se entregam às drogas. Averiguei o porquê. Porque é que no Ocidente são assim, se têm muito mais que os do Oriente? A resposta foi: “Porque não há ninguém nas suas famílias que os receba”. Os nossos filhos dependem de nós para tudo, a sua saúde, a sua nutrição, a sua segurança, o conhecimento e amor a Deus. Por tudo isto, eles não olham com confiança, expectativa e esperança. Mais ainda, o pai e a mãe estão de tal forma ocupados que não têm tempo para os seus filhos, ou talvez nem sequer estão casados ou deram-se por vencidos no matrimónio. Por tudo isto, as crianças ficam pela rua e entretém-se com as drogas e outras coisas. Falamos de amor às crianças que é onde devem começar o amor e a paz. Estes são os factos que contribuem para que não haja paz. Sinto, porém, que hoje em dia o maior destruidor da paz é o aborto, porque é guerra contra as crianças, o assassínio directo dos inocentes, assassínio da mãe contra si mesma.
Se nós aceitamos que uma mãe assassine o seu próprio filho, como podemos então dizer aos outros que não se matem? Como podemos convencer uma mulher que não cometa o aborto? Como em tudo, devemos persuadi-la com amor e recordar que amar significa dar até que doa. Jesus deu até a sua vida porque nos amava. A mãe que está a pensar cometer um aborto deve ser ajudada a amar, ou seja, dar até que doam os seus planos, o seu tempo livre, para que respeite a vida de seu filho. O pai desta criança, quem quer que seja, deve também dar até que lhe doa. Com o aborto, a mãe não aprende a amar, aprende antes a matar o seu próprio filho para resolver os seus problemas.
No aborto diz-se ao pai que não tem qualquer responsabilidade sobre a criança que trouxe à vida. O pai é capaz de colocar outras mulheres na mesma circunstância. Portanto, o aborto só conduz a mais abortos. Qualquer país que aceite o aborto, não ensina a sua gente a amar, mas antes a utilizar a violência para receber o que querem. É por isto que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto.
Muita gente preocupa-se bastante com as crianças da Índia, com os miúdos de África, com os que morrem à fome, etc. Muita gente também se preocupa por toda a violência desta grande nação, os Estados Unidos. Essas preocupações são boas. Contudo, estas mesmas pessoas não se interessam pelos milhões que, intencionalmente, são assassinados por decisão das suas próprias mães. E este é o maior destruidor da paz dos nossos dias – o aborto cegou as pessoas.
E, por isto, eu apelo na Índia e em qualquer outro lugar: “Vamos trazer de volta as crianças”. A criança é um presente de Deus para a família. Cada miúdo é criado de modo especial, à imagem e semelhança de Deus, para grandes coisas. Para amar e ser amado. Neste ano da família, devemos trazer as crianças para o centro do nosso cuidado e atenção. Esta é a única esperança para o futuro. Quando os velhinhos são chamados para Deus, só os seus filhos podem substituí-los.
O que é que Deus nos disse? “Ainda que a mãe se esqueça do seu filho, Eu não o esquecerei. Gravei-te na palma da Minha mão.” Todos estamos gravados na palma das Suas mãos. A criança abortada também está gravada na palma da Sua mão desde o momento da concepção e é chamado, por Deus, a amar e ser amado, não só agora nesta vida, mas para sempre. Deus nunca nos esquece.
Vou-vos contar uma coisa bonita. Nós lutamos contra o aborto com a adoção, cuidando da mãe e adotando a criança. Salvamos milhares de vidas. Comunicamos às clínicas, hospitais e às estações de polícia: “Por favor, não destruam as crianças; nós nos encarregamos delas.” De tal modo assim é que há sempre alguém que diz às mães com problemas: “Vem, nós cuidaremos de ti, vamos conseguir um lugar para o teu filho.” E temos uma grande lista de casais que não podem ter filhos que os podem acolher. Disse Jesus: “Aquele que receber esta criança em Meu nome, é a Mim que recebe.” Ao adotar uma criança, estes casais recebem Jesus. O casal que aborta uma criança recusa Jesus. Por favor, não assassinem as crianças. Eu quero as crianças. Por favor, entreguem-me as crianças. Eu estou disposta a aceitar qualquer criança que tenham querido abortar e, se o entregarem, vou levá-la para um casal, para uma famílias que a amará e que será amada por esta criança.
Só em Calcutá, salvamos do aborto mais de 3.000 crianças. Estes miúdos trouxeram tanto amor e alegria aos seus pais adotivos e cresceram cheios de amor e alegria. Eu sei que os casais devem planejar as suas famílias, mas para isso há o planejamento familiar natural.
O modo de planejar as famílias é por meios naturais, não por meios contraceptivos. Ao destruir o poder de dar a vida, através da contracepção, o casal faz mal a si próprio. Isto muda a atenção que têm a si próprios e destrói a possibilidade de se amarem um ao outro. Ao amarem-se um ao outro, a atenção está no amor de um para com o outro. Ao amar-se, o casal dá atenção a um e a outro, e isto é o que acontece com o planejamento familiar natural, e não como acontece egoisticamente com a contracepção. Uma vez destruído o amor pela contracepção, o aborto prossegue facilmente, pois é o passo lógico a seguir à contracepção.
Eu sei que há problemas muito grandes no mundo, que muitos casais não se amam o suficiente para utilizar o planejamento familiar natural. Não podemos resolver todos os problemas do mundo, mas permitam-me trazer o pior problema de todos, e esse é o que destrói o amor. E isso é o que acontece quando as pessoas praticam a contracepção e o aborto. Há muitos pobres no mundo. Eles podem ensinar-nos muitas coisas bonitas. Uma vez, uma mulher veio agradecer-me por lhe ter ensinado o planejamento familiar e disse: “Vocês, que praticam a castidade, são as melhores a ensinar-nos o planejamento familiar natural, porque não é nada mais que o auto-controlo por amor a um outro.” E o que esta pessoa pobre disse está muito certo. As pessoas pobres podem não ter nada para comer, talvez até não tenham onde viver, mas são pessoas grandiosas e muito ricas espiritualmente.
Quando recolho uma pessoa na rua, faminta, dou-lhe um prato de arroz e um pedaço de pão. Mas uma pessoa que está sozinha, sente-se rejeitada – como se ninguém a amasse -, atemorizada – pois foi rejeitada pela sociedade e tem medo -, tem uma pobreza que é mais difícil de vencer e essa é a pobreza espiritual. O aborto, que prossegue a contracepção, torna as pessoas espiritualmente pobres e essa é a pior pobreza e a mais difícil de vencer.
Os que são materialmente pobres podem ser gente maravilhosa. Uma tarde fomos recolher quatro pessoas da rua. Uma delas estava numa condição horrível. Disse às Irmãs: “Vocês encarreguem-se dos outros três; eu encarrego-me do que está pior.” Assim foi que fiz tudo o que o meu amor pôde fazer por ele. Encostei-o numa cama e fez-me um belíssimo sorriso. Pegou-me na mão e disse uma só palavra: “obrigado”. E morreu de seguida.
Não pude fazer nada mais que examinar a minha consciência diante daquela pessoa. E perguntei: “O que diria eu se estivesse no seu lugar?” A minha resposta foi sincera. Eu teria tratado de chamar a atenção. Teria dito, “tenho fome, tenho frio, estou com dores”, ou algo parecido. Mas aquela pessoa disse-me muito mais, deu-me o seu grande amor. E morreu com um sorriso no rosto. Também houve um homem que recolhemos nos esgotos, meio comido pelos vermes, que depois de o trazermos para casa só nos disse: “Vivi como um animal na rua, mas vou morrer como um anjo, amado e cuidado”.
Logo depois de lhe tirarmos os vermes do corpo, tudo o que disse, com um grande sorriso, foi: “Irmã, vou para a casa de Deus”. E morreu de seguida. Foi tão maravilhoso ver a força desse homem que podia falar assim, sem culpar ninguém, sem comparar com nada. “Como um anjo”, esta é a grandeza das pessoas que são espiritualmente ricas, ainda que materialmente pobres.
Não somos trabalhadoras sociais. Podemos fazer trabalho social aos olhos de algumas pessoas, mas nós devemos ser contemplativas no coração do mundo. Porque tocamos o corpo de Cristo e estamos sempre na sua presença.
Vocês também devem trazer a presença de Deus às vossas famílias, porque a família que reza unida, permanece unida.
Há demasiado ódio, demasiada miséria e, com as nossas orações, com os nossos sacrifícios, começamos a partir do lugar onde estamos. O amor começa em casa e não é ‘quanto fazemos’, mas ‘quanto amor pomos no que fazemos’.
Sim, somos contemplativas no coração do mundo, mesmo com todos os problemas, mas estes nunca nos poderão desanimar. Devemos recordar sempre que Deus disse-nos nas Escrituras: “Ainda que a mãe se esqueça do seu filho no ventre, algo impossível, mas, se ainda assim, ela se esquecer, Eu nunca o esquecerei.” E, por isso, aqui me encontro, dirigindo-me a vós.
Quero encontrar os pobres aqui, nos vossos lugares, primeiro. E começar a amar aí. Sejam portadores de boas notícias às vossas famílias, em primeiro lugar. E, logo depois, aos vossos vizinhos. Conhecem-os? Eu tive uma grande experiência de amor na proximidade a uma família hindu. Um homem veio à nossa casa e disse: “Madre Teresa, há uma família que não come há muito tempo. Faça alguma coisa.” E assim foi. Peguei num bocado de arroz e fui para lá imediatamente. E vi as crianças. Os seus olhos brilhavam de fome. Não sei se alguma vez viram a fome. Eu sim, e com muita frequência. E a mãe da família pegou no arroz e foi à rua. Quando regressou perguntei-lhe: “Onde foi? O que foi fazer?” E recebi uma resposta muito sincera: “Eles também têm fome.” O que me espantou foi que ela sabia daquele facto. E quem eram os que tinham fome? Uma família de muçulmanos. E ela sabia que eram muçulmanos. Não levei mais arroz nessa tarde, porque queria que eles, muçulmanos e hindus, desfrutassem do gozo de partilhar. E as crianças irradiavam alegria, partilhando a alegria e a paz com a mãe porque ela soube amar até que lhe doesse. E vêem, é aí que começa, em casa, com a família.
É de tal modo assim que, como demonstra esta família, Deus nunca nos esquece e tem sempre alguma coisa para vocês e para eu fazer. Podemos manter a alegria de amar Jesus nos nossos corações, partilhando essa alegria com aqueles que contactamos. Tomemos uma decisão, determinemos que nenhuma criança seja rejeitada ou que não seja amada, ou que não se preocupem com ela, ou que seja assassinada, ou atirada para o lixo. E deem até que vos doa, com um sorriso.
Já que falo muito de dar com um sorriso… Uma vez um professor dos Estados Unidos perguntou-me: “É casada?”; e eu respondi: “Sim, e às vezes tenho muitas dificuldades em dar um sorriso ao meu esposo, Jesus, porque Ele pode ser bastante exigente, por vezes.” Isto é verdadeiramente certo.
E é daí que o amor sai, quando é exigente, e quando, todavia, podemos dá-lo com alegria.
Uma das coisas mais exigentes para mim é viajar a qualquer lado – e com publicidade. Eu já disse a Jesus que, se não for para o céu por algum outro motivo, ao menos irei por todas as viagens que faço (com toda a publicidade que têm). Isso purificou-me e sacrificou-me e, em verdade, preparou-me para ir para o céu. Se recordamos que Deus nos ama e que podemos amar os outros assim, como Ele nos ama, então a América pode chegar a ser um sinal de paz para o mundo
Deste lugar deve sair para o mundo um aviso de cuidar os mais fracos e os não nascidos. Sim, vocês convertam-se num farol ardente de justiça e paz no mundo, então verdadeiramente serão fieis ao que os fundadores deste país representavam.
Que Deus vos abençoe.

O discurso em vídeo:



 Fonte:

Reta final da Quaresma: 5 desafios para a Semana Santa

Tome a decisão desde agora e prepare-se para aceitar esses 5 desafios!


Dr. Taylor Marshall, ex-presbítero episcopaliano, se converteu ao catolicismo em 2006 e, em 2013, fundou o New Saint Thomas Institute, cuja proposta é dar aulas online de teologia e filosofia. Assim como em seus cursos e livros, ele mantém um site que aborda essas matérias e outros temas de espiritualidade católica (em inglês). Taylor e sua esposa Joy têm 8 filhos. O texto compartilhado a seguir é uma tradução desta postagem dele.

1) Leia o Evangelho de São João inteiro.
São João é o Evangelho da Semana Santa por excelência. Leia-o do início ao fim. São apenas 25 páginas. Leia mesmo!

2) Participe em duas das três liturgias maiores desta semana.
São elas o Lava-pés na Quinta-Feira Santa, à noite; a celebração da Sexta-Feira Santa; e a Vigília Pascal, no Sábado à noite.

3) Leve consigo um amigo não-católico para uma destas liturgias.
São liturgias poderosas! Preparem-se para conversões.

4) Na Sexta-Feira Santa, faça jejum completo.
Se você não tem nenhum problema de saúde que o impeça, desafie-se a ficar sem qualquer refeição, lanchinho matutino ou vespertino, suco, calorias, desde a noite da Quinta-Feira Santa até o Sábado de manhã. Experimente tomar apenas chá ou café pela manhã. Você não vai morrer e fará uma experiência espiritual profunda para entrar na Paixão de Cristo na Sexta-Feira Santa. Reforçando: se tiver problemas de saúde, não faça isto. Mas se estiver relativamente saudável, experimente. Toda pessoa que dispõe de alimentos deveria passar pela experiência de sentir fome durante um dia inteiro. Não diga a ninguém que está fazendo esse jejum. Que seja pessoal e privado.

5) Ofereça o seu jejum da Sexta-Feira Santa pela intenção número 1 da sua vida.
Que seja grandiosa! Reze por um milagre! Deus gosta imensamente de responder a orações gigantes, porque elas revelam a nossa humildade. Não podemos receber mérito por favores gigantes.

Tenha uma ótima Semana Santa!

Quarta-feira da 4.ª Semana da Quaresma - Uma obra maior que o céu e a terra


Versão áudio

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 5, 17-30)

Naquele tempo, Jesus respondeu aos judeus: "Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho". Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus. 

Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: "Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados. 

Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. 

Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem viverão. 

Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação.

Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

Mártires brasileiros serão canonizados pelo Papa Francisco

Vaticano aprova canonização de beatos assassinados em 1645, em duas igrejas do Rio Grande do Norte, durante ocupação dos calvinistas holandeses.
Por José Maria Mayrink — O Estado de S. Paulo | O papa Francisco aprovou nesta quinta-feira, 23, a canonização de 30 beatos brasileiros que foram massacrados em 1645 nas localidades de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, durante a ocupação holandesa do Nordeste, por se negarem a abjurar da fé católica e aderir ao calvinismo, religião dos invasores. Os futuros santos serão André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos, Mateus Moreira e outros 27 companheiros leigos.
"Ficamos muito felizes, pois esta canonização é uma grande bênção para a Igreja e com certeza vai reavivar a fé e a devoção dos fiéis", disse o arcebispo de Natal, d. Jaime Vieira Rocha, após receber a notícia da aprovação do papa. Os 30 brasileiros foram beatificados em março de 2000 por João Paulo II. O cardeal d. Cláudio Hummes, que foi arcebispo de Fortaleza, ajudou a levar adiante a causa dos mártires e, no ano passado, confidenciou a d. Jaime que Francisco estava interessado na canonização.
Foram dois massacres coletivos: o primeiro em 15 de julho, em Cunhaú, atualmente município de Canguaretama, e o segundo em 3 de outubro, em Uruaçu, hoje município de São Gonçalo do Amarante. Segundo relatos da época, mais de 70 pessoas foram assassinadas, mas a Congregação para as Causas dos Santos reconhece apenas o martírio daqueles cujos nomes são conhecidos. Na cerimônia de beatificação, João Paulo II chamou os novos beatos de protomártires e disse que eles eram exemplos e defensores da fé cristã.
Os massacres foram executados por índios tapuias e soldados holandeses, sob comando de Jacob Rabbi, um alemão a serviço da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas. As vítimas foram mortas em um domingo, durante a missa celebrada pelo padre Ambrósio Ferro. Após a consagração da hóstia e do vinho, a tropa holandesa trancou as portas da igreja e, após um sinal de Rabbi, os índios chacinaram os fiéis.
Com a notícia das atrocidades em Cunhaú, o medo se espalhou pelo Rio Grande do Norte e capitanias vizinhas. Com razão. Outra vez sob as ordens de Jacob Rabbi, um grupo de dezenas de pessoas, entre as quais o padre André de Soveral, foi massacrado. Além dos padres André de Sandoval e Ambrósio Ferro, foram mortos os leigos Mateus Moreira e seus 27 companheiros que serão transformados em santos. O camponês Mateus Moreira teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".
Emissários do governo holandês enviados para investigar os massacres constataram a prática de violência, atrocidade e crueldade. Cronistas da época relatam que em Uruaçu a crueldade foi maior. Os índios e a tropa holandesa fecharam as portas da igreja e mataram os católicos ferozmente. Arrancaram línguas, deceparam braços e pernas, cortaram crianças ao meio e degolaram corpos. A história dos massacres foi pesquisada na Torre do Tombo, em Portugal, e no Museu de Ajax, na Holanda. Segundo documentos levantados, os holandeses ofereceram aos católicos a opção de salvar a vida, se eles se convertessem ao calvinismo.
Data. D. Jaime pensou na hipótese de a canonização ser em outubro deste ano, se Francisco viesse ao Brasil por ocasião da comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Como não virá, a cerimônia deverá ser celebrada no Vaticano, em data a ser marcada. Milhares de devotos celebram a memória dos mártires nos meses de julho e de outubro. Há celebrações frequentes também nas quatro paróquias dedicadas aos beatos no Rio Grande do Norte.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

As pessoas mais difíceis de converter. Seria você uma delas?

Esta matéria é sobre um tipo difícil de converter, que acha que conhece a Cristo, que já vive o Evangelho e que já está bom o suficiente para ir para o Céu. Seria você, por acaso, uma dessas pessoas?


As pessoas mais difíceis de converter não são os que estão no mundo, mas os próprios católicos.
Ninguém se escandalize com isso, porque essa situação já foi denunciada várias vezes por pregadores de outros séculos. O pe. António Vieira, por exemplo, dizia que, "antigamente, batizavam-se os que eram convertidos; hoje, é preciso converter os que são batizados". Se a situação era assim no seu tempo, o século XVII, quanto mais em nossa época, em que a TV, a Internet e os meios de comunicação de uma forma geral são os maiores responsáveis por "formar" (ou deformar) as mentes das pessoas! Nunca foi tão fácil ser mundano, render-se aos encantamentos do mundo e esquecer-se de Deus, de nossa alma e das verdades eternas!
No entanto, este que é um verdadeiro drama — o de perder a Deus pelo pecado e deixar escapar pelas mãos a própria salvação — só é vivido verdadeiramente por quem tem féAqueles que não a têm já estão entregues, rendidos, derrotados. E é deles principalmente que falamos quando nos referimos às pessoas mais difíceis de converter. É a católicos sem fé que queremos atingir com estas linhas.
Cumpre dizer, antes de mais nada, que não queremos pintar um quadro horrendo para os outros, enquanto mascaramos a nossa própria condição. Nossa santificação, o trabalho de nossa conversão, não é, evidentemente, obra de um dia ou de uma semana. Nós, que caminhamos por este vale de lágrimas, devemos estar sempre conscientes de que a presença da Santíssima Trindade em nós, pela graça, vai encerrada "em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós" (2Cor 4, 7). Não é nossa pretensão criar uma "casta" de iluminados dentro da Igreja, nem instituir algum tipo de "alfândega" para limitar as pessoas que atravessam a soleira de nossos templos. Essa exortação é mais um "convite à penitência comum", pois é assim que deve ser a correção fraterna feita a pecadores por… pecadores [1]. Em outras palavras, Cristo veio ao mundo para salvar os delinquentes e nós somos os primeiros deles (cf. 1Tm 1, 15)!
Partamos, porém, sem mais delongas, a uma breve descrição de como vive a maior parte de nossos autodenominados católicos.
Crêem eles, porventura? Talvez nos artigos do Creio, se tomados de modo simples; desdobrado o conteúdo que ali se encontra, certamente encontraremos muitos negando, por exemplo, a existência dos demônios ou da condenação eterna. Eles certamente não se negarão a repetir os artigos do Creio, um por um, quando se levantarem no domingo, durante a Missa, para rezá-lo; mas é que eles vão à Missa com tanta irregularidade, que muitas vezes sequer se dão conta de que estão tropeçando em uma e outra parte da oração.
Mas o que acontece quando alguém lhe mostra que faltar à Missa aos domingos é pecado mortal? E que é preciso confessar-se, portanto, antes de aproximar-se novamente da Sagrada Comunhão? Neste momento, o tipo a que nos referimos imediatamente desconversa, dá de ombros, tenta dizer alguma coisa para se desculpar e leva a sua vida do mesmo jeito, como se nada estivesse acontecendo. No próximo domingo em que for à Missa, talvez daí a um mês — ou mesmo durante a semana, quando sentir vontade —, ele entrará tranquilamente na procissão para receber Jesus Eucarístico, sem nenhum escrúpulo ou remorso de consciência.
Esse exemplo é ainda muito simples, porque faz referência apenas ao preceito dominical. Se fosse tratado, no entanto, o problema do sexto mandamento, certamente a resistência seria ainda maior. Onde já se viu não poder comungar, por exemplo, quem usa anticoncepcionais? Ou quem dorme com o namorado ou a namorada? Ou quem assiste a vídeos pornográficos ou cai no pecado da masturbação? Ou até, e aqui se rasgam definitivamente as vestes, quem consente em maus pensamentos e já pratica o adultério com os outros no coração?
Esse tipo, porém, é empedernido, é teimoso. Quer participar das cerimônias católicas, mas sem levar muito a sério a Igreja da qual diz fazer parte. Quer ser ativo na liturgia, participar das pastorais e dos movimentos, mas isso é o bastante. Ele traça uma linha para demarcar o limite da sua entrega: até aqui eu vou, até aqui eu sou católico, até aqui eu obedeço à Igreja. Ir além — ele já estabeleceu, ex cathedra, em sua mente — é "moralismo", "radicalismo", "extremismo".
Por que é tão difícil mudar a cabeça de pessoas assim, é muitíssimo fácil de perceber. Diferentemente de quem vive no mundo, despreocupado de tudo e desligado de qualquer prática religiosa, esse tipo de católico acha que conhece a Cristo, acha que já vive o Evangelho, acha que já está bom o suficiente para ir para o Céu. Se estivesse fora, assumisse a sua ignorância e entrasse na Igreja com a intenção de aprender e reformar as próprias opiniões, certamente produziria muito mais frutos do que no atual estado em que se acha.
Muito apropriadas nesse sentido são as palavras do bem-aventurado John Henry Newman, durante um discurso a pessoas de várias religiões:
"Ninguém deveria entrar na Igreja sem o firme propósito de aceitar a sua palavra em todas as matérias de doutrina e moral, e isso por ela vir diretamente do Deus da Verdade. Tu deves enfrentar a matéria e calcular os gastos (cf. Lc 14, 28). Se não te aproximas com esse espírito, tu sequer deverias aproximar-te: grandes e pequenos, instruídos e ignorantes, todos devem vir para aprender. Se tens essa disposição, dificilmente algo dará errado, pois tens uma boa base; do contrário, se vens com qualquer outra intenção, é melhor que esperes até que te tenhas livrado dela. Tu deves vir à Igreja, eu te digo, para aprender; deves vir, não para trazeres a ela tuas próprias noções, mas com a intenção de ser sempre um aprendiz; deves vir com a intenção de tomá-la como parte de tua herança e de jamais apartar-te dela. Não venhas como para um experimento; não venhas como para arrumar assentos em uma capela, ou bilhetes para uma conferência; vem a ela como para tua casa, para a escola de tua alma, para a Mãe dos Santos e vestíbulo dos céus." [2]
A recomendação que o Cardeal Newman faz em seu discurso é importante porque lembra que existe, na Igreja Católica, uma identidade substancialmente diferente do protestantismo, religião muito comum na Inglaterra de sua época (e, agora, cada vez mais, também no Brasil). Enquanto entre os protestantes cada cristão é, por assim dizer, o seu próprio papa, a única e verdadeira Igreja de Cristo é una. Isso significa que um católico, quando crê, não é no que quer, mas no que recebeu de outrem; quando leva uma vida moral, não é com base em suas próprias ideias, mas nos ensinamentos de uma autoridade; quando reza, não é conforme a sua cabeça, mas de acordo com o modo como Deus mesmo manifestou que quer ser cultuado. Nós não inventamos a nossa própria religião; vivemos (ou melhor, esforçamo-nos por viver) a religião que Deus mesmo instituiu.
Ser católico exige, portanto, em primeiríssimo lugar, uma autêntica mudança de mentalidade. Sem isso, não estaremos seguindo a Igreja, mas tão somente o nosso próprio "eu", como diz Santo Tomás de Aquino:
"É claro que quem adere à doutrina da Igreja como à regra infalível, dá seu assentimento a tudo o que a Igreja ensina. Ao contrário, se do que ela ensina, aceitasse como lhe apraz, umas coisas e não outras, já não aderiria à doutrina da Igreja como regra infalível, mas à própria vontade." [3]
Se a Igreja lhe diz, por exemplo, com a sua autoridade dada pelo próprio Cristo (cf. Mt 16, 18), que tal coisa é pecado, e você, ao invés de acatar, desconversa, diz que "não é bem assim" e tenta se justificar, é muito triste dizê-lo, mas seu catolicismo é superficial, não passa de um verniz, de uma fachada. Você não acredita na Igreja, mas em você mesmo. Sua opinião conta muito mais que a religião a qual você diz seguir. Seria muito mais honesto abandonar de vez essa peça farsesca que você encena e procurar a igreja protestante mais próxima e que mais se adequa aos seus gostos e posições.
Abra os olhos de uma vez por todas, pare de tentar mentir para si mesmo e de ficar se defendendo com insultos. Não chame os outros de "moralistas" só porque não compartilham do "código moral" inventado por você; não chame os outros de "radicais" só porque não são superficiais como você; não chame os outros de "extremistas" só porque você se contenta com uma vida morna e levada de qualquer modo. Converta-se, mude de mentalidade e honre as águas do santo Batismo com que a Igreja o banhou! Foi a ela, afinal, não a você, que Cristo confiou as chaves do Reino dos céus.
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